dza patrül rinpoche, orgyen jigme chökyi wangpo ·
a sabedoria através da meditação

Através da meditação, conforme você obtém experiência prática do que entendeu intelectualmente, a verdadeira realização do estado natural desenvolve-se em você sem erro. A certeza nasce do interior. Liberado das confinantes dúvidas e hesitações, você vê o próprio rosto do estado natural.

Tendo primeiro eliminado todas as suas dúvidas através do ouvir e da reflexão, você vem à experiência prática da meditação e vê tudo como formas vazias sem qualquer substancialidade, como nas oito comparações da ilusão:

[1] Como em um sonho, todos os objetos externos percebidos com os cinco sentidos não estão lá, mas aparecem através da delusão.

[2] Como em uma exibição de mágica, fazem-se aparecer coisas por uma conjunção temporária de causas, circunstâncias e conexões.

[3] Como em uma aberração visual, as coisas parecem estar lá, porém nada há.

[4] Como em uma miragem, as coisas aparecem mas não são reais.

[5] Como em um eco, as coisas podem ser percebidas mas nada há lá, nem dentro nem fora.

[6] Como em uma cidade de gandharvas, não há nem uma morada nem qualquer um para morar.

[7] Como em um reflexo, as coisas aparecem mas não têm realidade em si mesmas.

[8] Como em uma cidade criada pela mágica, há todos os tipos de aparências mas elas não estão realmente lá.

Vendo todos os objetos de sua percepção deste modo, você vem a entender que todas estas aparências são falsas por sua própria natureza. Quando você olha para a natureza do sujeito que os percebe — a mente —, esse objetos que surgem para ele não cessam de aparecer, mas se apaziguam os conceitos que tomam os objetos como tendo qualquer existência verdadeira. Deixar a mente na realização da natureza da vacuidade, vazia porém clara como o céu, é a sabedoria transcendente.

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Adaptado de Patrul Rinpoche, The words of my perfect teacher.
Traduzido pelo Padmakara Translation Group.
Massachusetts: Shambhala, 1998. Pág. 252.