Através da meditação, conforme você
obtém experiência prática do que entendeu intelectualmente, a verdadeira
realização do estado natural desenvolve-se em você sem erro. A certeza
nasce do interior. Liberado das confinantes dúvidas e hesitações, você vê
o próprio rosto do estado natural.
Tendo primeiro eliminado todas as suas dúvidas através do ouvir e da reflexão,
você vem à experiência prática da meditação e vê tudo como formas
vazias sem qualquer substancialidade, como nas oito comparações da ilusão:
[1] Como em um sonho, todos os objetos externos percebidos com os cinco
sentidos não estão lá, mas aparecem através da delusão.
[2] Como em uma exibição de mágica, fazem-se aparecer coisas por uma conjunção
temporária de causas, circunstâncias e conexões.
[3] Como em uma aberração visual, as coisas parecem estar lá, porém nada há.
[4] Como em uma miragem, as coisas aparecem mas não são reais.
[5] Como em um eco, as coisas podem ser percebidas mas nada há lá, nem
dentro nem fora.
[6] Como em uma cidade de gandharvas, não há nem uma morada nem qualquer um
para morar.
[7] Como em um reflexo, as coisas aparecem mas não têm realidade em si
mesmas.
[8] Como em uma cidade criada pela mágica, há todos os tipos de aparências
mas elas não estão realmente lá.
Vendo todos os objetos de sua percepção deste modo, você vem a entender que
todas estas aparências são falsas por sua própria natureza. Quando você
olha para a natureza do sujeito que os percebe — a mente —, esse objetos
que surgem para ele não cessam de aparecer, mas se apaziguam os conceitos que
tomam os objetos como tendo qualquer existência verdadeira. Deixar a mente na
realização da natureza da vacuidade, vazia porém clara como o céu, é a
sabedoria transcendente.
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