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dilgo khyentse tashi paljor, pema drubwang dongag lingpa · os pensamentos e a mente |
A fonte de todos os fenômenos do samsara e do nirvana A mente, dividindo a experiência em sujeito e objeto, primeiro se identifica com o sujeito, o "eu", então com a idéia de "meu" e começa a se apegar ao "meu corpo", "minha mente" e "meu nome". Conforme nosso apego a estas três noções fica mais e mais forte, nos tornamos mais e mais preocupados exclusivamente com o nosso próprio bem-estar. Todo o nosso esforço por conforto, nossa intolerância pelas circunstâncias perturbadoras da vida, nossa preocupação com prazer e dor, riqueza e pobreza, fama e obscuridade, louvor e culpa, todos são devidos a esta idéia de um "eu". Geralmente estamos tão obcecados com nós mesmos que dificilmente pensamos sobre o bem-estar dos outros; de fato, não estamos mais interessados nos outros do que um tigre está interessado em comer grama. Isto é completamente o oposto da visão do bodhisattva. Realmente, o ego é apenas uma fabricação do pensamento, e quando você realizar que tanto o objeto agarrado quando a mente que agarra são vazios, será fácil ver que os outros não são diferentes de si mesmo. Toda a energia que normalmente colocamos para cuidar de nós mesmos, os bodhisattvas colocam para cuidar dos outros. Se um bodhisattva vir que pular no fogo do inferno pode ajudar até mesmo um único ser, ele faz isso sem um instante de hesitação, como um cisne entrando em um lago fresco. Os pensamentos e a mente Como ondas, todas as atividades desta vida têm acontecido infinitamente, uma depois da outra, porém têm nos deixado de mãos vazias. Miríades de pensamentos correram através de nossa mente, cada um dando nascimento a muitos mais, mas o que eles fizeram foi aumentar nossa confusão e insatisfação. Quando examinamos de perto os hábitos ordinários que sublinham o que quer que façamos, e quando tentamos descobrir de onde vêm, descobrimos que sua própria fonte é a nossa falha em investigá-los adequadamente. Operamos sob a premissa deludida de que tudo tem algum tipo de realidade verdadeira e substancial. Mas quando olhamos mais cuidadosamente, descobrimos que o mundo fenomenal é como um arco-íris — vívido e colorido, mas sem qualquer existência tangível. Quando um arco-íris aparece no céu, vemos muitas cores bonitas — porém um arco-íris não é algo com o qual possamos nos vestir ou usar como um ornamento. Nada há que possamos segurar; é simplesmente algo que que aparece para nós através da conjunção de várias condições. Os pensamentos surgem na mente exatamente do mesmo modo. Não têm qualquer realidade tangível ou existência intrínseca. Portanto, não há razão lógica pela qual os pensamentos devam ter tanto poder sobre nós, nem qualquer razão pela qual devamos ser escravizados por eles. A mente é o que cria tanto o samsara quanto o nirvana. Porém, nada há de mais nela — ela é apenas pensamentos. Uma vez que reconheçamos que os pensamentos são vazios, a mente não terá mais o poder de nos enganar. Mas enquanto considerarmos nossos pensamentos deludidos como reais, eles continuarão a nos atormentar sem misericórdia, como têm feito ao longo de incontáveis vidas passadas. Para obtermos controle sobre a mente, precisamos estar conscientes do que fazer e do que evitar, e também precisamos estar alertas e vigilantes, examinando constantemente todos os nossos pensamentos, palavras e ações. Para cortar o apego da mente, é importante entender que todas as aparências são vazias, como a aparência de água em uma miragem. Belas formas não são de benefício para a mente, e as formas feias também não podem feri-la de modo algum. Corte os nós da esperança e do medo, da atração e da repulsão, e permaneça em equanimidade no entendimento de que todos os fenômenos não são nada mais que que projeções de sua própria mente. Uma vez que tenha realizado a verdade absoluta, então você verá toda a infinita exibição de fenômenos relativos que aparecem dentro dela como nada mais que uma ilusão ou um sonho. Realizar que aparência e vacuidade são um é o que é chamado "simplicidade" ou "liberdade de limitações conceituais". Eu e outros Como você deseja ser feliz, então você deve desejar que os outros sejam felizes também. Como você deseja estar livre do sofrimento, então você deve desejar que todos os seres possam também ser livres do sofrimento. Você deve pensar, "Possam todos os seres sencientes encontrar felicidade e a causa da felicidade. Possam ser livres do sofrimento e da causa do sofrimento. Possam sempre ter felicidade perfeita, livre do sofrimento. Possam viver em equanimidade, sem apego ou aversão, mas sim com amor diante de todos, sem qualquer discriminação." Sentir amor transbordante e compaixão quase insuportável por todos os seres sencientes é o melhor modo de realizar os desejos de todos os buddhas e bodhisattvas. Mesmo se no momento você não puder efetivamente ajudar ninguém de forma externa, medite constantemente sobre o amor e a compaixão durante meses e anos, até que a compaixão esteja inseparavelmente entrelaçada no próprio tecido de sua mente. Conforme você tenta praticar e progredir no caminho, é essencial lembrar que seus esforços são para o benefício dos outros. Seja humilde e lembre que todos os seus esforços são como uma brincadeira de criança se comparadas à vasta e infinita atividade dos bodhisattvas. Assim como pais dando provisões aos filhos que amam tanto, nunca pense que você fez muito para os outros, ou que já basta. Mesmo se finalmente planejar estabelecer todas as criaturas vivas no estado búddhico perfeito, simplesmente pense que todos os seus desejos foram realizados. Nunca deve haver nem mesmo um rastro de esperança por qualquer benefício para si mesmo em retorno. A essência da prática do bodhisattva é ir além do autoapego e se dedicar a servir os outros. A atividade do bodhisattva depende da mente, não de como suas ações possam parecer externamente. A verdadeira generosidade é a ausência de apego, a disciplina última é a ausência de desejo e a paciência autêntica é a ausência de raiva. Os bodhisattvas são capazes de dar seu reino, seu corpo, suas posses mais caras, porque superaram completamente qualquer tipo de pobreza interior e estão incondicionadamente prontos para preencher as necessidades dos outros. Prática Os ensinamentos que mais precisamos são aqueles que vão efetivamente fortalecer e inspirar nossa prática. É muito bom receber ensinamentos tão elevados quanto o céu, mas o céu não é fácil de agarrar. Comece com práticas que você possa verdadeiramente assimilar — desenvolver determinação para se tornar livre das preocupações ordinárias, nutrir amor e compaixão — e, conforme ganhar estabilidade em sua prática, você eventualmente será capaz de ter maestria sobre todos os ensinamentos mais elevados. O único modo de atingir a liberação do samsara e de atingir a onisciência da iluminação é contar com um professor espiritual autêntico. Um professor espiritual autêntico é como a vela que permite que um barco cruze o oceano rapidamente. O sol e a lua são instantaneamente refletidos na água clara e calma. De forma similar, as bênçãos das Três Jóias estão sempre presentes para aqueles que têm completa confiança nelas. Os raios do sol caem uniformemente em todos os lugares, mas apenas onde são focalizados através de uma lente é que eles podem fazer a grama seca pegar fogo. Quando os raios da compaixão dos Buddhas, que tudo permeiam, são focalizados através da lente de nossa fé e devoção, a chama das bênçãos queima no seu ser. Obstáculos podem surgir tanto de circunstâncias quanto de boas, mas nunca devem detê-lo ou sobrepujá-lo. Seja como a terra, que suporta todos os seres sencientes indiscriminadamente, sem distinguir o bom do ruim. A terra simplesmente está lá. Sua prática deve ser fortalecida pelas situações difíceis que encontrar, assim como uma fogueira sob vento forte nunca é apagada, mas fica ainda mais brilhante. Quando alguém o fere, veja-o como um professor bondoso que está lhe mostrando o caminho da liberação e que merece o seu respeito. Rogue que você seja capaz de ajudá-lo o tanto quanto puder e, para o que quer que aconteça, nunca espere por uma oportunidade de vingança. É particularmente admirável suportar pacientemente o mal e o desprezo de outras pessoas que têm menos educação, força ou habilidade que você. Olhe corretamente para isto e você verá que a pessoa que é ferida, a pessoa que faz o mal e o mal em si são totalmente vazios de qualquer realidade inerente. Quem, então, ficará com raiva de meras ilusões? Ao encarar estas aparências vazias, há alguma coisa a ser perdida ou obtida? Há alguma coisa a se gostar ou desgostar? Tudo é como um céu vazio. Reconheça isso! Uma vez que controle a raiva interior, você descobrirá que não há nem um único adversário exterior. Mas enquanto der atenção à sua raiva e tentar superar seus oponentes externos, mesmo que você tenha sucesso, mais oponentes surgirão inevitavelmente no lugar deles. Mesmo se planejar sobrepujar a todos em todo o mundo, sua raiva apenas ficaria mais forte; segui-la nunca a faria abaixar. O único inimigo realmente intolerável é a própria raiva. Para derrotar o inimigo que é a raiva, é necessário meditar unidirecionadamente sobre a paciência e o amor, até que se enraízem em seu ser. Então, não poderá haver adversários externos. Pergunte-se — dos bilhões de habitantes deste planeta, quantos têm qualquer idéia do quão raro é ter nascido como um ser humano? Daqueles que entendem a raridade do nascimento humano, quantos pensam em usar essa oportunidade para praticar o Dharma? Daqueles que pensam em começar a praticar, quantos efetivamente fazem isso? Daqueles que começam, quantos continuam a praticar? Daqueles que continuam, quantos atingem a realização última? De fato, aqueles que atingem a realização última, comparados àqueles que não a atingem, são tão poucos quanto as estrelas que você pode ver ao meio-dia, se comparados com as estrelas que você pode ver no céu de uma noite clara. Enquanto você, assim como a maioria das pessoas, falhar em reconhecer o verdadeiro valor da existência humana, você apenas desperdiçará sua vida em atividade fútil e distração. Quando a vida chegar, mais cedo ou mais tarde, ao seu fim inevitável, você não terá alcançado absolutamente nenhuma coisa digna. Mas uma vez que realmente veja a oportunidade única que a vida humana pode dar, você definitivamente direcionará toda a sua energia em amadurecer sua verdadeira dignidade, colocando o Dharma em prática. Se fizer uso de seu nascimento humano da maneira correta, você pode atingir a iluminação nesta mesma vida. Todos os grandes siddhas do passado nasceram como pessoas comuns. Mas, entrando no Dharma, seguindo um professor realizado e devotando todas as suas vidas à prática das instruções que receberam, eles foram capazes de manifestar as atividades iluminadas dos grandes bodhisattvas. |
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adaptado de www.shechen.org |
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