jamyang khyentse chökyi lodrö · abrindo o dharma · 2/5

As Tradições Tibetanas

A Tradição Nyingma

A tradição Nyingma, o Tantra Secreto "antigo", classifica o Buddhadharma em nove veículos sucessivos, coletivamente contidos no veículo causal e no veículo resultante do Tantra. O veículo causal tem três divisões: o veículo Hinayana dos shravakas, o veículo Hinayana dos pratyekabuddhas e o veículo Mahayana dos bodhisattvas. No veículo resultante do Tantra há duas divisões: os três veículos tântricos externos e os três grandes métodos da classe tântrica interior. Todos estes têm muitas definições e explicações sobre sua visão, meditação, ação e resultado, mas não é possível escrever estas explicações aqui.

Há três linhagens nas traduções antigas dos Tantras Nyingma: a linhagem oral distante [tib. ringyü kama / ring rgyud bka' ma, dos ensinamentos orais diretos do Buddha]; a linhagem próxima do tesouro [tib. nyegü terma / nye rgud geer ma, dos ensinamentos de textos de tesouro escondidos, escritos e escondidos em lugares sagrados por Guru Rinpoche, Khandro Yeshe Tsogyal e outros, para o benefício das gerações futuras] e a linhagem das profundas visões puras [tib. zabmo dagnang / zab mo dag snang, dos ensinamentos recebidos por vários santos durante visões na meditação e na pós-meditação].

A Tradição Kadam

A tradição Sarma das traduções novas dos Tantras é chamada também de tradição Jowo Kadam. Esta tradição tem inumeráveis detentores do Dharma. Estes incluem Atisha, Gyalwa Dromtönpa, os três irmãos e assim por diante. Os antigos kadampas se espalharam nas linhagens Sakya e Kagyü.

A Tradição Gelug

Manjushri Tsongkhapa estabeleceu-se na antiga Kadam e propagou os ensinamentos do Vinaya, do Sutra, do Madhyamika, do Prajnaparamita, do Tantra Secreto e assim por diante. Sua vasta tradição veio a cobrir a terra inteira. Ele explicou sua visão de todos os significados dos Sutras e dos Tantras com a ajuda de sua divindade especial [Manjushri] e de sua própria sabedoria analítica, que veio da casa do tesouro de sua sabedoria muito profunda. Muitas das qualidades únicas de seus ensinamentos podem ser vistas claramente em suas explicações excelentes.

A Tradição Sakya

A tradição Sakya foi estabelecida pelos cinco grandes mestres [tib. jetsün gongma nga / rje tsun gong ma lnga], que basearam seus ensinamentos sobre aqueles do yogi conquistador, o grande Virupa. Eles também seguiram os ensinamentos de Naropa, Dorjedenpa e assim por diante, e eram detentores das linhagens do Sutra e do Tantra de muitos outros grandes eruditos e santos indianos. A tradição Sakya também veio a praticar algumas das tradições antigas dos Tantras da Nyingma, como Yangdag P'hurba [Adaga Pura], que se tornou parte da tradição Khön. De maneira similar, muitos outros ensinamentos extraordinários e sublimes existem ainda hoje, com suas linhagens inquebrantáveis.

Sakya Pandita, o ornamento da coroa de todos os instruídos desta terra, é famoso por ter derrotado Trogje Gawo [o erudito indiano não-buddhista] em debate. Exceto por seu exemplo extraordinário, nenhum outro mestre é conhecido por ter feito algo assim naquele tempo. Há três tradições que mantêm a linhagem de Sakya Pandita: a Sakya, a Ngor e a Ts'har. Da raiz da tradição Sakya vieram as três linhagens renomadas de Bulug, Jonang e Bodong. Destas três, emergiram de suas explicações algumas diferenças menores sobre suas visões dos Sutras e dos Tantras.

A Tradição Kagyü

A tradição Kagyü desenvolveu-se dos ensinamentos de Naropa e Maitripa. Os principais fundadores de todas as escolas da Kagyü são os três grandes mestres Marpa, Milarepa e Gampopa. Destes três mestres a linhagem Kagyü dividiu-se em quatro linhagens maiores e oito menores. Foi do discípulo de Gampopa, P'hagmodrupa, que veio a maioria destas linhagens da tradição Kagyü, espalhando-se em muitas direções diferentes. Presentemente há quatro que não desapareceram e ainda existem: a Karma Kagyü, a Drukpa Kagyü, a Drigung Kagyü e a Taglung Kagyü. As linhagens do Dharma das outras tornaram-se muito sutis ou fracas [e maioria delas foi absorvida pelas linhagens maiores].

O instruído santo Khedrup Khyungpo Neljor viajou para a Índia e encontrou as duas dakinis de sabedoria [Niguma e Sukhasiddhi], Rahula, Maitripa e muitos outros seres sagrados. Ele recebeu os ensinamentos de outros cento e cinqüenta santos e instruídos e então retornou ao Tibet e propagou o que veio a ser conhecido como a tradição Shangpa Kagyü. Hoje em dia, porém, esta tradição não é mais mantida por alguém como uma tradição separada, apesar de suas linhagens de iniciações e transmissões orais existir tanto na Sakya quanto na Kagyü.

Também da Índia era o santo P'hadampa Sangye, que ensinou a linhagem Shije envolvendo regulamentos para purificação. Seguindo-o estava a dakini Machig Labdrön, que começou a linhagem do Dharma sagrado do Chöd que corta as interferências demoníacas.

No Tibet há muitas linhagens grandes do Tantra Secreto, mas estas são diferentes apenas no nome. Em seu significado essencial, não há diferença particular. Todas elas têm a mesma meta, a realização da iluminação.

As Características Especiais de Cada Tradição

Cada uma das tradições tem suas próprias características especiais. É bem conhecidos que tanto a tradição Sakya quanto a Ganden [Gelug] têm a habilidade e autoridade especiais para dar boas explicações dos ensinamentos, e que a Kagyü e Nyingma são especialistas em praticá-las. Realmente, os antigos eruditos tinham um ditado: "Na terra das neves [Tibet], os nyingmapas foram os pioneiros no Dharma, os kadampas foram a fonte de um milhão de detentores do Dharma, os sakyapas difundiram os ensinamentos completos do Dharma, os kagyüpas não têm rival no caminho da prática, e Tsongkhapa foi o sol da fala, espalhando explicações excelentes. Jonangpa Taranatha e Shalu foram dois grandes mestres dos ensinamentos vastos e profundos do Tantra."

Este ditado parece realmente transmitem a essência das diferentes tradições.

O Tesouro Sagrado

Na tradição Nyingma, há uma linhagem conhecida como Terma [tesouro], que vem do grande mestre de Uddiyana, Padmasambhava, que depois de vir ao Tibet, manifestou todas os muitos ensinamentos do Dharma, comuns e incomuns, para o rei [Trisong Detsen] e seus seguidores. Eles então juntaram isto a fim de proteger e preservar o Dharma para os seres sencientes dos tempos degenerados futuros e os esconderam como tesouros da mente e da terra. Nas horas apropriadas, estes são revelados pelas mais elevadas emanações humanas como uma fonte de benefício e felicidade para os seres sencientes e para o Dharma.

Há também muitas linhagens renomadas de visões puras e "transmissões sussurradas ao ouvido" existentes tanto nos Tantras Secretos "novos" quanto "antigos". Alguns eruditos questionaram a validade destes tesouros sagrados, mas eles precisam examinar o objetivo e a necessidade do Terma. É estabelecido que estes tesouros são o Dharma autêntico pelos três critérios padrão do argumento lógico. Então por favor seja cuidadoso porque criticar o Dharma com raiva é uma falta grava e apenas fará suas máculas aumentarem, tornando-se grossas e pesadas.

Os Cem Mil Versos do Prajnaparamita Sutra e assim por diante foram tesouros revelados por Nagarjuna. Além disto, muitos grandes santos descobriram e revelaram tesouros das escrituras sagradas do Tantra Secreto da stupa de Dhumathala em Uddiyana. E assim, até mesmo na terra nobre da Índia encontramos revelações de tesouros ocorrendo. Há muitos argumentos lógicos quanto a isto, mas não vou apresentá-los aqui.

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adaptado de www.dudjomba.org